EXPOSIÇÕES

Sesc 24 de maio resgata história do Hip Hop na cidade de São Paulo

Foto: Sergio Robert Fernandes

*Por Bárbara Moraes

Com ingressos gratuitos, a exposição teve mais de 50 mil visitantes e  está aberta ao público até 29 de março do próximo ano

Não é segredo para ninguém que a cidade de São Paulo respira hip hop. Seja nas ruas ou nos palcos, a batida se amplifica na capital paulista. Pensando em realizar um resgate histórico, o SESC 24 de maio realiza a exposição HIP-HOP 80’sp – São Paulo na Onda do Break. A visitação  vai até 29 de março de 2026 e os ingressos são gratuitos. 

O acervo com mais de 3 mil peças resgata memórias do Hip-Hop paulista em instalações que convertem história em dança, som e movimentos e traduzem a linguagem da rua para uma geração pós-digital. Sob curadoria coletiva, a mostra reconstrói a revolução urbana que transformou inúmeros pontos da cidade em palcos de resistência como  a estação São Bento, a Praça Roosevelt, o Parque Ibirapuera e a famosa esquina da 24 de Maio com a Dom José de Barros. 

A exposição superou 50 mil visitantes em seu primeiro mês. Além disso, a proposta imersiva tem estimulado a troca intergeracional, atraindo tanto quem viveu a época quanto jovens da geração pós-digital. O Matraca Cultural conversou com os curadores da exposição para entender o processo de construção da exposição. 

Foto: Sergio Robert Fernandes
  1. Como surgiu a ideia de realizar uma exposição imersiva sobre o Hip-Hop dos anos 1980 em São Paulo?
    Resposta: A ideia da exposição surgiu de uma curadoria coletiva formada por vozes e testemunhas que vivenciaram a cena do Hip-Hop paulista nos anos 1980. O objetivo central foi fazer um resgate histórico em prol da preservação da memória, com ênfase na importância de mostrar às novas gerações como a cultura do Hip-Hop surgiu e se enraizou em São Paulo. A exposição foi idealizada por OSGEMEOS e Rooneyoyo O Guardião, com realização do Sesc São Paulo, e curadoria coletiva entre OSGEMEOS, Rooneyoyo O Guardião, KL Jay, Thaíde, Sharylaine, ALAM Beat e Rose MC. 
  1. Como foi a seleção e negociação entre múltiplos curadores para criar uma curadoria coletiva tão rica e diversa?
    Resposta: A curadoria foi compartilhada entre personalidades fundamentais da cena, cada um trazendo sua perspectiva única: OSGEMEOS (artes visuais), Rooneyoyo O Guardião (memória e articulação comunitária), KL Jay (DJ dos Racionais MC’s), Thaíde (rap), Sharylaine e Rose MC (pioneiras do rap feminino) e ALAM Beat (b-boy). Juntos, eles percorreram arquivos pessoais, reconectaram trajetórias e garantiram a presença de vozes e objetos essenciais, resultando em uma narrativa plural e autêntica.
  1. Quais foram as principais referências visuais, sonoras e espaciais utilizadas para recriar o ambiente do nascimento do Hip-Hop na cidade?
    Resposta: A exposição utiliza:
  • Referências visuais: fotografias inéditas de Martha Cooper, filmes como Style Wars (Henry Chalfant), Beat Street e Breakin’, flyers de bailes black, roupas de época e grafites.
  • Referências sonoras: com a presença equipamentos originais dos anos 1980 utilizados por DJs, como as baterias Roland TR-808 e TR-909, toca-discos, mixers e fitas cassete.
  • Referências espaciais: recriação de um vagão de metrô cenográfico da Estação São Bento grafitado pelos OSGEMEOS, instalações interativas como um piano cinético e uma “Boombox Gigante”, e ambientes que simulam pontos icônicos como a Praça Roosevelt e o Parque Ibirapuera.
  1. Como a exposição retrata o papel histórico da estação São Bento como ponto de encontro e símbolo de resistência para os praticantes do break?
    Resposta: A Estação São Bento é tratada como o epicentro do Hip-Hop paulistano. A exposição recria um vagão de metrô cenográfico grafitado, que serve como espaço educativo e de imersão. Esse ambiente simboliza como a estação se tornou um palco de resistência e ponto de encontro onde jovens encontraram formas de expressão e afirmação cultural por meio do break, do rap, do graffiti e das batidas dos DJs.
  1. De que forma o olhar de cada curador influenciou a narrativa exibida?
    Resposta: Cada curador contribuiu com sua expertise e trajetória:
  • OSGEMEOS trouxe a estética visual e o graffiti.
  • Rooneyoyo articulou a memória comunitária e a pesquisa de campo.
  • KL Jay inseriu a perspectiva sonora e do DJing.
  • Thaíde representou a cena rap.
  • Sharylaine e Rose MC garantiram a representação feminina e pioneira.
  • ALAM Beat trouxe a vivência da dança breaking.
  • Juntos, criaram uma narrativa multifacetada que abrange todos os elementos do Hip-Hop.

SERVIÇO:

Exposição: HIP-HOP 80’sp – São Paulo na Onda do Break
Curadoria: OSGEMEOS, Rooneyoyo O Guardião, KL Jay, Thaíde, Sharylaine, ALAM Beat e Rose MC
Período expositivo: 24 de julho de 2025 a 29 de março de 2026
Horário de funcionamento: terça a sábado, das 9h às 21h; domingos e feriados, das 9h às 18h
Local: Sesc 24 de Maio – Rua 24 de Maio, 109 – República, São Paulo (SP)
Classificação Livre | Entrada gratuita
Confira a programação aqui: HIP-HOP 80’sp – São Paulo na Onda do Break

Matraca Cultural

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