*Por Bárbara Moraes
Com ingressos gratuitos, a exposição teve mais de 50 mil visitantes e está aberta ao público até 29 de março do próximo ano
Não é segredo para ninguém que a cidade de São Paulo respira hip hop. Seja nas ruas ou nos palcos, a batida se amplifica na capital paulista. Pensando em realizar um resgate histórico, o SESC 24 de maio realiza a exposição HIP-HOP 80’sp – São Paulo na Onda do Break. A visitação vai até 29 de março de 2026 e os ingressos são gratuitos.
O acervo com mais de 3 mil peças resgata memórias do Hip-Hop paulista em instalações que convertem história em dança, som e movimentos e traduzem a linguagem da rua para uma geração pós-digital. Sob curadoria coletiva, a mostra reconstrói a revolução urbana que transformou inúmeros pontos da cidade em palcos de resistência como a estação São Bento, a Praça Roosevelt, o Parque Ibirapuera e a famosa esquina da 24 de Maio com a Dom José de Barros.
A exposição superou 50 mil visitantes em seu primeiro mês. Além disso, a proposta imersiva tem estimulado a troca intergeracional, atraindo tanto quem viveu a época quanto jovens da geração pós-digital. O Matraca Cultural conversou com os curadores da exposição para entender o processo de construção da exposição.

- Como surgiu a ideia de realizar uma exposição imersiva sobre o Hip-Hop dos anos 1980 em São Paulo?
Resposta: A ideia da exposição surgiu de uma curadoria coletiva formada por vozes e testemunhas que vivenciaram a cena do Hip-Hop paulista nos anos 1980. O objetivo central foi fazer um resgate histórico em prol da preservação da memória, com ênfase na importância de mostrar às novas gerações como a cultura do Hip-Hop surgiu e se enraizou em São Paulo. A exposição foi idealizada por OSGEMEOS e Rooneyoyo O Guardião, com realização do Sesc São Paulo, e curadoria coletiva entre OSGEMEOS, Rooneyoyo O Guardião, KL Jay, Thaíde, Sharylaine, ALAM Beat e Rose MC.
- Como foi a seleção e negociação entre múltiplos curadores para criar uma curadoria coletiva tão rica e diversa?
Resposta: A curadoria foi compartilhada entre personalidades fundamentais da cena, cada um trazendo sua perspectiva única: OSGEMEOS (artes visuais), Rooneyoyo O Guardião (memória e articulação comunitária), KL Jay (DJ dos Racionais MC’s), Thaíde (rap), Sharylaine e Rose MC (pioneiras do rap feminino) e ALAM Beat (b-boy). Juntos, eles percorreram arquivos pessoais, reconectaram trajetórias e garantiram a presença de vozes e objetos essenciais, resultando em uma narrativa plural e autêntica.
- Quais foram as principais referências visuais, sonoras e espaciais utilizadas para recriar o ambiente do nascimento do Hip-Hop na cidade?
Resposta: A exposição utiliza:
- Referências visuais: fotografias inéditas de Martha Cooper, filmes como Style Wars (Henry Chalfant), Beat Street e Breakin’, flyers de bailes black, roupas de época e grafites.
- Referências sonoras: com a presença equipamentos originais dos anos 1980 utilizados por DJs, como as baterias Roland TR-808 e TR-909, toca-discos, mixers e fitas cassete.
- Referências espaciais: recriação de um vagão de metrô cenográfico da Estação São Bento grafitado pelos OSGEMEOS, instalações interativas como um piano cinético e uma “Boombox Gigante”, e ambientes que simulam pontos icônicos como a Praça Roosevelt e o Parque Ibirapuera.
- Como a exposição retrata o papel histórico da estação São Bento como ponto de encontro e símbolo de resistência para os praticantes do break?
Resposta: A Estação São Bento é tratada como o epicentro do Hip-Hop paulistano. A exposição recria um vagão de metrô cenográfico grafitado, que serve como espaço educativo e de imersão. Esse ambiente simboliza como a estação se tornou um palco de resistência e ponto de encontro onde jovens encontraram formas de expressão e afirmação cultural por meio do break, do rap, do graffiti e das batidas dos DJs.
- De que forma o olhar de cada curador influenciou a narrativa exibida?
Resposta: Cada curador contribuiu com sua expertise e trajetória:
- OSGEMEOS trouxe a estética visual e o graffiti.
- Rooneyoyo articulou a memória comunitária e a pesquisa de campo.
- KL Jay inseriu a perspectiva sonora e do DJing.
- Thaíde representou a cena rap.
- Sharylaine e Rose MC garantiram a representação feminina e pioneira.
- ALAM Beat trouxe a vivência da dança breaking.
- Juntos, criaram uma narrativa multifacetada que abrange todos os elementos do Hip-Hop.
SERVIÇO:
Exposição: HIP-HOP 80’sp – São Paulo na Onda do Break
Curadoria: OSGEMEOS, Rooneyoyo O Guardião, KL Jay, Thaíde, Sharylaine, ALAM Beat e Rose MC
Período expositivo: 24 de julho de 2025 a 29 de março de 2026
Horário de funcionamento: terça a sábado, das 9h às 21h; domingos e feriados, das 9h às 18h
Local: Sesc 24 de Maio – Rua 24 de Maio, 109 – República, São Paulo (SP)
Classificação Livre | Entrada gratuita
Confira a programação aqui: HIP-HOP 80’sp – São Paulo na Onda do Break

