TEATRO

O Dia Seguinte: uma ressaca, duas gerações e um encontro improvável

Espetáculo estrelado por Bruna Griphao e André Gonçalves, está em cartaz até 11/2, no Teatro dos Quatro (RJ)

*Por Walter Camacho

Acordar depois de um Réveillon no Rio completamente despido, ao lado de uma pessoa de quem você não se lembra e sem qualquer recordação de como chegou até ali, essa é a tônica da comédia romântica “O dia seguinte”, estrelada por Bruna Griphao e André Gonçalves, em cartaz no Teatro dos Quatro, no Shopping da Gávea. A temporada segue até 11 de fevereiro, com apresentações às terças e quartas.

A trama começa com um suposto desencontro entre Luanna (Bruna) e Renato (André), que despertam com amnésia momentânea após um porre em uma noite de festa, situação que rapidamente se transforma em um encontro. Logo surge uma conexão, inicialmente carnal, pois eles conseguem lembrar que tiveram uma relação. Mas, aos poucos, nos embates e diálogos, vemos que há muito mais que enfrentamento, há encantamento.

A história acontece com os dois presos em um apartamento que eles não sabem onde fica. Aos poucos, vão recuperando fragmentos de memória ao falarem de si mesmos e de outras pessoas que estariam na festa da virada em Copacabana. A história desses outros personagens, inclusive, é muito bem construída e contada de forma muito plausível, permitindo que o público os conheça pela simples menção de atitudes e descrições, muito bem feitas pelos dois atores, por sinal.

Há também um ligeiro conflito geracional. Luanna é uma mulher jovem, que gosta de modernidades e não se culpa de não conhecer alguns clássicos, por conta da pouca  idade. Em uma das cenas mais engraçadas, ela fala que assistiu ao musical Wicked, mas nunca viu o Mágico de Oz, e não vê nenhum problema nisso. Esse embate fica ainda mais emblemático quando Renato, saudosista, afirma que músicas boas são apenas as de grandes artistas como Milton Nascimento, Caetano Veloso e Chico Buarque, que ela também conhece e gosta, mas considera o estilo ideal para uma festa de Réveillon, preferindo o Funk para essas ocasiões e bota para quebrar no palco. É aquela velha história, uma coisa não invalida a outra. 

A autoria da Regiana Antonini é sempre uma boa surpresa. Seus roteiros são sempre leves na medida certa, sem serem rasos. São pérolas do cotidiano que fazem a gente rir, sorrir e refletir, não por serem simples, mas por terem a profundidade necessária. Livremente inspirado em um conto de Luiz Fernando Veríssimo, o texto nos leva a pensar nos encontros, desencontros e reencontros, e sobre as conexões que conseguimos fazer antes, depois ou no exato momento que consideramos ideal. 

É muito interessante como ela consegue nos levar a pensar e a nos surpreender com atitudes simples do cotidiano. A direção de Rafael Ponzi  opta pela naturalidade e simplicidade, tratando os personagens com simplicidade e leveza, o que mostra o quão complexas podem ser as relações. Os encantamentos acontecem sem serem forçados, simplesmente surgem e é muito bonito.

No fim das contas, os dias seguintes sempre valem a pena quando são dias de leveza, sensibilidade e afeto.

Ficha técnica:
Idealização: André Gonçalves

Equipe Criativa:
Conto Original:  Luís Fernando Veríssimo
Texto: Regiana Antonini
Direção: Rafael Ponzi
Cenografia: Letícia Ponzi
Designer de Luz: Mario Jorge Junior

Trilha Sonora: Herbert Azzul

Elenco: Bruna Griphao e André Gonçalves

Voz em off: Cristina Pereira e Riba Carlovich
Produção Executiva: Clayton Epfani
Equipe de Comunicação
Assessoria de Imprensa: Lage Assessoria/Fernanda Lacombe
Fotos divulgação: Carlos Alberto
Arte e Pintura: Charles Chaim

Serviço:
O Dia Seguinte
Temporada: até 11 de fevereiro
Onde: Teatro dos Quatro – Shopping da Gávea (Rua Marquês de São Vicente, 52 – Loja 265, Rio de Janeiro – Rio de Janeiro)
Quando: Terças e quartas,  às 20h
Valor: R$ 120 (inteira), R$ 60 (meia)
Compras pelo Sympla https://bileto.sympla.com.br/event/114255/d/354607/s/2391012?share_id=1-copiarlink
Classificação: 16 anos.
Telefone: (21) 2239-1095
Lotação: 402 lugares

Matraca Cultural

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