Foto Caio Gallucci
Sejam bem-vindos à Era de Aquarius! No musical Hair, embarcamos em uma verdadeira viagem no tempo, uma imersão sensorial e emocional pelo movimento hippie que marcou o final dos anos 60 e transformou a história da cultura mundial. Hair vai além de um simples espetáculo; é um manifesto em prol da paz, liberdade e resistência ao ódio, especialmente durante um período em que o mundo, particularmente os Estados Unidos, enfrentavam os efeitos da Guerra do Vietnã. No meio da dor, da desilusão e da derrota de milhares de jovens soldados, clamar pela paz transformava-se em um gesto de bravura.
Com a primeira estreia na Broadway, em 1968 e, no Brasil, em 1969, no Teatro Aquarius em São Paulo, o espetáculo rapidamente se tornou um sucesso mundial. Nesta nova produção brasileira dirigida por Charles Möeller e Claudio Botelho, com produção da Aventura, o espetáculo mantém intacta sua essência rebelde e contestadora. São 30 atores em cena durante quase todo o primeiro ato, num fluxo intenso de energia, cores, vozes e ritmos que conduzem o público a uma sucessão de canções que marcaram época e seguem eternas.
Entre os momentos mais simbólicos, está a emblemática “Aquarius”, música que se consagrou como o hino da geração e se tornou uma metáfora astrológica para a harmonia e a esperança. Sua letra — “Quando a Lua está na sétima casa / E Júpiter alinhado com Marte / Então a Paz guiará os planetas / E o Amor comandará as estrelas” — reflete com precisão o sentimento que permeia o espetáculo: a convicção de que um novo tempo é viável, orientado pela força da paz e do amor.
Quase 60 anos após sua estreia, Hair permanece atemporal. As questões trazidas pelo musical, como intolerância, conflitos políticos, resistência e o desejo por liberdade, continuam ecoando fortemente, especialmente em tempos de polarização acirrada como os que vivemos hoje. É impossível não se conectar com os ideais que a produção traz à tona e não se comover com sua mensagem de união.
Nesse contexto psicodélico e libertário, os personagens Berger e Claude se destacam como dois amigos que, embora compartilhem os mesmos ideais, enfrentam intensamente o conflito entre utopia e realidade. Berger, personagem interpretado por Rodrigo Simas, representa a rebeldia e a irreverência. Com um jeito despojado, provocador e carismático, ele comanda o grupo com sua audácia e espírito livre, confiando no poder do amor como instrumento de combate ao ódio e à guerra. Berger personifica o ideal hippie em sua essência mais pura: um jovem que descarta convenções e vive o momento com fervor.
Por outro lado, Claude, interpretado por Eduardo Borelli, é o oposto de Berger. Ele é o retrato do jovem norte-americano daquela geração, sensível, introspectivo e dividido entre o dever e o desejo de liberdade, pressionado por uma sociedade conservadora e por um Estado que o chama para lutar em uma guerra que não entende. Claude sonha com o amor, com a arte e com uma vida equilibrada, porém vive atormentado pela necessidade de se alistar no exército.
E se o início da peça nos convida a mergulhar na “Era de Aquarius”, o final promete um desfecho emocionante com outro clássico absoluto: “Let the Sunshine In, culminando em uma surpresa que faz o público se levantar e cantar junto.
Hair é, acima de tudo, um chamado. Um lembrete de que a arte pode e deve inspirar transformações, curar feridas e reacender a esperança. Porque, afinal, este é um espetáculo que nos ensina, uma vez mais, a deixar a luz do Sol entrar.
Serviço:
Musical Hair
Local: Teatro BTG Pactual Hall
Período:24 de outubro a 21 de dezembro (Sextas às 20h; Sábados às 16h e às 20h; Domingos às 15h e às 19h)
Classificação indicativa: 18 anos
INGRESSOS SÃO PAULO:
1º Lote
Sextas-feiras às 20h e domingos às 19h
Plateia VIP – R$ 280,00 / R$ 140,00
Plateia – R$ 240,00 / R$ 120,00
Frisa – R$ 40,00 / R$ 20,00
Balcão – R$ 40,00 / R$ 20,00
Sábados às 16h e às 20h e domingos às 15h
Plateia VIP – R$ 320,00 / R$ 160,00
Plateia – R$ 280,00 / R$ 140,00
Frisa – R$ 40,00 / R$ 20,00
Balcão – R$ 40,00 / R$ 20,00

