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Where you lead, I will follow

Por Cláudia Brandão-Masters

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Nem precisa saber muito inglês para ouvir/ler essa letra e saber que é o seriado Gilmore Girls que vem por aí. Se você, que está lendo esse post, não sabe do que eu estou falando, então por favor, corre agora e veja todas as temporadas. Te digo mais, teve repeteco nove anos depois, então, acelere o passo porque há muito para ver! Não há nada melhor que descobrir uma série e ter 4643237 episódios para ver! Se prepare para maratonas intensas, choradeiras e risadas que não acabam mais!

O seriado começou em 2000 e terminou em 2007, com 7 temporadas e alguns actores desconhecidos que chegaram ao estrelato depois que viveram em Stars Hollow (cidade fictícia do seriado). O foco, claro, vai para as duas personagens que encabeçam essa história, Mãe Lorelai e filha Rory, que, mais do que qualquer outra coisa, são melhores amigas.

Bastante diferente do que a gente vê na TV hoje em dia, Gilmore Girls marcou uma época por ter sido sempre fiel às suas personagens e não à tendência. Ver de novo os episódios traz um frescor para a minha TV e garanto que para vocês também. Não há vampiros, zumbis ou adolescentes com roupas para lá de surreais (gente, a visão das adolescentes em Pretty LIttly Liars não é o nosso mundo real, podem até ter roupas magníficas, mas um pouco acima do que é normal, não?), a sexualidade não é tratada de maneira banal, não há exageros, não há nada mais do que um retrato fiel da realidade.

A série mostrou, durante sete anos, o crescimento de duas mulheres e tudo o que elas passam. Não há uma única situação que, quem vê, não pense “nossa, aconteceu isso comigo”. Claro que há dramas e momentos que a TV precisa ter, mas até esses momentos conseguem se assemelhar à nossa realidade.

Pessoalmente, a grande história, para além da principal (mãe & filha), é a história de amor entre Lorelai e o Luke, dono da lanchonete da cidade. Desde o começo que o público sabe que ele é louco por ela, mas ela vai de amor em amor, até que percebe que o cara que abastecia a sua dose (exagerada) de cafeína diária, é o grande amor da vida dela. Incrível quando esse encontro acontece. Passam por altos e baixos, pais, dinheiro, brigas, ex (essa praga!) mas acabam juntos para alegria geral da nação!

Vale a pena realçar o regresso desse seriado. Em novembro de 2016 foram lançados quatro episódios que retratam a vida das Gilmore Girls nove anos depois, ou seja, eles realmente deixaram passar o tempo que a serie não existiu. Fiquei ansiosa, pois temi que perdessem o foco e o essencial dessa historia – a simplicidade. Mas eis que surge, mais uma vez, outra lufada de ar fresco e você percebe que a realidade das personagens é fiel ao que acontece no nosso mundo.

Confesso que encontrei alguns pontos negativos e não consigo dizer se é porque estava com a expectativa muito alta ou se porque realmente não estava bom, mas a verdade é que a serie continua tendo mais pontos positivos que negativos, ainda bem!

PAUSA – se você ainda não viu a série ou nem o repeteco, então não leia mais porque o que vem a seguir contem spoiler e eu não quero estragar a emoção de reviver esse seriado!

Os novos episódios acontecem durante um ano, e mostram as quatros estações do ano (claro, se você conhece bem a Lorelai sabe a paixão que ela tem pelo inverno e pela neve… e isso está lá) e antes de focar no essencial temos o regresso de todo o mundo. Sim, todo o mundo menos o incrível Richard Gilmore pois o actor que deu vida a esse personagem faleceu. Personagens inesquecíveis como Emily, Sookie, Michel, Kirk, Lane (e sua banda), Taylor e todos os outros regressam para mostrar que nada mudou.

Para mim, e já que aqui eu posso tudo, o mais bonito for perceber que não colocaram a Rory no pedestal, aliás, sempre estivemos acostumados com um registo dela bem certinha, tudo dando super certo (tirando uma ou outra fase) e sempre conquistando o que queria. Mas a vida não é bem assim e todo o “young adult” sabe isso. Sabe aquela historia de querer mudar o mundo? Pois é, ela queria. Mas nove anos depois ela não está mudando o mundo, aliás, não está mudando nada, nem mesmo a vida dela. É interessante perceber que a menina perfeitinha não tem emprego, não tem perspectivas e não tem namorado. É, também nunca imaginei que a Rory estivesse tão próxima da realidade de muitas pessoas. Não falo de maneira deprimente não, falo de mudança na sociedade mesmo. Não está fácil para ninguém e cada vez mais pessoas se encontram mais tarde, quando tem mais maturidade, mais vontade, mais alguma coisa. Aplausos para essa parte porque você vê o seriado e pensa “até a menina perfeita não consegue ter tudo em cima logo”…

Luke e Lorelai estão juntos (aeee, pode respirar) mas como qualquer casal passam por algumas dificuldades. Um fala de mais outro fala de menos, querem as mesmas coisas mas sempre acabam se desencontrando. Moral da história? Temos um Luke que finalmente luta pelo que quer abertamente e faz uma declaração daquelas e Lorelai perde o medo de ser feliz e se joga naquela que é a vida certa para ela – ao lado do seu grande amor.

Coisas que não mudaram? Continuam falando muito rápido, a relação entre mãe e filha, tanto como da Emily e Lorelai e desta com Rory mantêm-se e isso é que da vale a historia pois você sente que a autora foi fiel aos espectadores e não deixou que nada interferisse na realidade deles.

Final… muito foi dito sobre as últimas palavras que seriam proferidas pela mãe e filha. Quem acompanha sabe que a sétima temporada (a ultima antes do repeteco) não foi conduzida pela autora original por motivos diversos e ela (e as actrizes) sempe disse que não tinha sido um final como haviam pensado. A autora aliás afirmou diversas vezes que as últimas palavras já estavam decididas desde que ela começou a escrever o roteiro e que com essa repetição finalmente ela ia poder terminar do jeito que ela queria.

Atenção, mais um spoiler por ai.

Não pensei muito nisso, apesar de ter ido procurar essas tais palavras finais ainda antes de ter visto os quatro episódios finais. “Mom. What? I’m pregnant” (“Mae. Sim? Estou gravida). Foi assim que Rory terminou a sua história, pelos menos a que a autora queria contar para a gente. Porquê esse final? Aí está! Rory sempre foi muito parecida com a mãe mesmo quando achava que não – acabou grávida, apesar de mais velha, ela não tem trabalho, não tem namorado e está perdida, assim como a sua mãe estava quando engravidou dela. Lorelai, pelo menos aparentemente, não teve uma reacção boa, mas nesse momento as luzes apagam e o espectador não sabe mais nada. EITA! E agora? Acredito que não poderia ter sido esse final em outra altura, por isso, por um lado que bom que a autora não fez a sétima temporada e só agora teve essa chance.

Por outro lado fico com o coração na mão por não saber se Lorelai vai se tornar uma Emily ou se vai ser a melhor amiga da filha, ainda. Sei que tudo será resolvido e que as duas sempre terão uma relação especial. Mas, se fosse para continuar, seria bem interessante ver a jornada dessas duas pessoas incríveis, porque com toda a certeza que muita água ia rolar até que tudo voltasse ao normal. Quanto mais eu escrevo mais tenho a sensação de que esse seriado se assemelha muito a realidade. Gilmore Girls tem o dom de mostrar que tudo tem um ciclo, que as histórias, passe o tempo que passar, se repetem. Mãe e filha sempre se apoiaram muito, mas Lorelai sabe bem o que sofreu quando engravidou de Rory e será que agora teme que a filha passe pelo mesmo? O mundo mudou, agora ser mãe cedo já não é aos 16 mas sim bem mais tarde, será? Não vamos entrar por aí…

Faz o seguinte? Vai ver tudo o que tiver de Gilmore Girls, porque vale a pena. Mas lembre-se, elas falam rápido demais e você precisa estar atento para acompanhar o lado mais simples mas mais humano da vida!

Sobre o Editor

Cláudia Brandão-Masters

Nasci portuguesa mas morei toda a minha vida na China me sentindo brasileira. Sou noveleira a 200%, amo seriados e vivo para ver, ler e sempre saber mais sobre esse mundo. Sou jornalista de formação, assessora de comunicação por vocação, bailarina por paixão e noveleira pela vida! Corro pelo mundo, sempre com os pés na terra e asas na mão.

Número de Postagens : 6

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