You Are Here: Home » Editorias » Você sabe o que você come (parte final)

Você sabe o que você come (parte final)

Por Marco Barone

Meus caros, volto depois de um período sabático. Como o espaço explica também expressões, “Perídodo sabático” significa o tempo que se tira sem trabalhar e tem origem no sétimo dia – um sábado – que Deus tirou para descansar. Bem, dei um tempo, mas agora fecho meu pequeno alfarrábio sobre comida. Depois do macarrão, da pizza e do arroz com feijão, este post falará sobre sobremesas para fechar o ciclo. É claro que ainda faltou falar sobre bebidas e acompanhamentos (para alguns, mistura), mas isso fica para outras oportunidades. Como o assunto é vasto, a ideia aqui é falar da origem de alguns doces mais famosos.

Antes, o que significa “sobremesa”: sobremesa – ou, mais raramente, pospasto – é como usualmente se chama o complemento das refeições. Na língua portuguesa, sobremesa decorre da construção morfológica de sobre + mesa, com sobre significando após, depois, aquilo que sucede e mesa significando a refeição principal que se consome à mesa. Portanto, sobremesa significa depois da mesa ou aquilo que sucede a refeição principal.

A invenção da sobremesa, tal como conhecemos hoje, ocorreu na Europa entre os séculos XVII e XVIII, quando aos poucos teve início o costume de servir uma pequena porção doce antes de desfazer a mesa. Antes disso, nos banquetes medievais eram comuns comilanças regadas a carnes, cereais, ensopados de legumes, pães, tortas, queijos, mel, frutas secas e frescas, entre outros alimentos. Mas tudo consumido ao mesmo tempo. Com o novo hábito, além de desservir a mesa após a refeição, as sobremesas passaram a ser utilizadas também como um modo de ostentar riqueza e facilitar a digestão.

Bananada – difícil definir exatamente sua origem, já que existem diferentes receitas e tipos da fruta. Mas é bastante comum em algumas cidades do centro-oeste brasileiro

Brigadeiro – Essa já falei aqui, mas vale o repeteco. Um doce genuinamente brasileiro. Tem origem na homenagem ao brigadeiro Eduardo Gomes. O doce foi criado durante a primeira campanha do candidato à presidência, pela conservadora UDN, logo após a queda de Getúlio Vargas. A guloseima feita de leite, ovos, manteiga, açúcar e chocolate tanto agradou que, numa das festas de campanha, foi feito o doce para arrecadar fundos. Com o tempo, o nome de “brigadeiro” acabou sendo dado ao doce (mais tarde feito com leite condensado)

Cocada – É um doce típico brasileiro, feito basicamente de gemas, leite e coco ralado

Doce de abóbora – originário da culinária do Rio Grande do Sul. Utiliza açúcar, água, cravos-da-índia e canela em pau

Gelatina – a palavra gelatina vem do latim gelatas, que significa firme. Sua origem não é muito “saborosa”. É o colágeno obtido da fervura de osso, pele e tecido animal. Ela é usada em sobremesas e na medicina, aquela cápsula que envolve o medicamento é feito de gelatina, encontra-se também em cosméticos. No Egito, já se usava uma substância gelatinosa em alguns alimentos, mas ninguém sabe como ela era produzida. A primeira fábrica de gelatina foi registrada em 1754, na Inglaterra

Goiabada – doce típico da comida caipira, surgiu no Brasil quando a goiaba foi usada pelos colonos portugueses como substituto para confeccionar a marmelada

Mousse – do francês La mousse (espuma), é uma espécie de sobremesa cremosa feita de ovos e/ou nata em combinação com outros ingredientes que lhe dão sabor, como o chocolate ou frutas. As claras de ovos são batidas em neve e depois incorporadas aos outros ingredientes. O doce é então refrigerado e mantém-se aerado. A mousse de chocolate é um prato tradicional da França, servido na maioria dos restaurantes. A receita teria sido inventada no início do século XX pelo artista francês Henri de Toulouse-Lautrec que a chamou originalmente de “maionese de chocolate”

Pastel de Santa Clara – este delicioso doce está associado ao Convento Santa Clara, em Coimbra/Portugal. Dizem a lenda, que no final do século XII, as freirinhas utilizavam as claras dos ovos ara engomar os seus hábitos, e na tentativa de dar alguma utilidade às gemas, criaram então o saboroso pastelzinho.

Pavê – surgiu na França e muitos dizem que possui esse nome porque a montagem do doce, que é feita em camadas intercaladas de bolacha e creme, lembram as pedras colocadas também em camadas, usadas na pavimentação das ruas francesas

Petit Gâteau – embora tenha o nome de origem francesa que significa “pequeno bolo”, a combinação com sorvete e calda de chocolate foi criada acidentalmente por um aprendiz de chefe de cozinha, na década de 90, em Nova York, mas mesmo errando a clientela adorou. A sobremesa chegou ao Brasil em 1996

Pudim – Na Grã-Bretanha e em alguns países da Commonwealth, pudding (“pudim”) é uma denominação genérica para sobremesa. Os pudins antigos são apresentados em forma de massa sólida, constituída pela mistura de vários ingredientes unidos por uma liga que pode incluir farinha de trigo (como no Pudim de Yorkshire), sangue (pudim preto), ovos (pudim de pão) ou uma mistura de gordura e farinha ou algum outro cereal (pudim de ameixa). Estes tipos de pudim podem ser assados, cozidos ou fervidos. Este tipo ainda é comum em vários lugares, especialmente na Grã-Bretanha e podem ser o prato principal de uma refeição ou a sobremesa. O tipo mais novo de pudim pode ser tanto um prato de sobremesa quanto consumido sozinho. O preparo habitual faz com que açúcar e outros ingredientes sejam solidificados por meio de algum agente estrutural gelificante como amido de milho, gelatina, ovos, tapioca e outras féculas. A este tipo pertencem o manjar e o manjar branco

Romeu e Julieta – o nome não precisa de explicação, mas a ideia de juntar um pedaço de goiabada acompanhada de queijo Minas. Mais brasileiro, impossível, mas sua influência é búlgara. A receita do queijo cremoso que faz parceria com a goiaba em calda chegou às ilhas do Caribe na bagagem de imigrantes vindos da Bulgária e, claro, inspirou algum mineiro de bom gosto

Sagu – O sagu aparece na ceia de algumas regiões do Brasil. Antigamente, as bolinhas eram servidas apenas como sobremesa. Hoje, também existem pratos salgados com o alimento

Salada de frutas – o nome “salada” vem do Italiano insalata, “salgada”, do Latim insalare, de in-, “em”, mais salare, “salgar”. Em espanhol, a palavra mudou menos que no nosso idioma e se diz ensalada. A salada de frutas não é salgada, mas o nome vem da mistura de diversos elementos.

Sorvete – talvez a mais consumida das sobremesas. Sua origem tem várias teorias. O primeiro relato vem do Oriente. Conta-se que há mais de 3 mil anos os chineses costumavam preparar uma pasta de leite de arroz misturada à neve das geladas montanhas daquele país – ou seja, um sorvete de arroz. Há quem diga também que os próprios chineses já misturavam a neve com suco de frutas e mel. Quanto a misturar neve, suco de frutas e mel, há também quem afirme que o Imperador Nero, há cerca de 1,9 mil anos, ordenava que seus escravos fossem aos picos das montanhas buscarem neve para o congelamento de tal mistura. Algo bem parecido com as famosas raspadinhas aqui no Brasil. O sorvete chegou ao Brasil pelos americanos. Um navio daquele país aportou no Rio de Janeiro, em 1835, com 270 toneladas de gelo. Nasce então a primeira sorveteria brasileira, criada por dois comerciantes que compraram o tal carregamento de gelo e passaram a vender sorvetes de frutas.

Sundae – uma das sobremesas típicas da família nos Estados Unidos, basicamente consiste de bolas de sorvete cobertas com molho ou xarope, como chocolate,caramelo ou morango, podendo ainda receber cobertura de amendoim ou castanha, cerejas, entre outras. A origem do termo sundae é um mistério. Várias cidades americanas se dizem como o local de surgimento do verdadeiro sundae de sorvete. Entre as muitas histórias sobre a invenção do sundae, um tema frequente é que o prato surgiu em contravenção às chamadas leis de azul contra o consumo de domingo de sorvete ou refrigerante gelado (o último inventado por Robert M. Green, na Filadélfia, Pensilvânia, em 1874). As leis religiosas levaram alguns farmacêuticos a produzir um substituto para os sorvetes trata popular para consumo no domingo. A grafia foi alterada para sundae para evitar ofender religiosos convenções

Sobre o Editor

Antonio Saturnino

Atleta frustrado, jornalista por formação e "cantor" de karaokê nas horas vagas. Sou apaixonado pelas diversas manifestações artísticas, porém com uma relação mais íntima com a música. É ela quem dá ritmo à minha vida e se encarrega de escolher a trilha sonora adequada para cada momento.

Número de Postagens : 365

Matraca Cultural © 2012 Todos os direitos reservados.

Scroll to top