You Are Here: Home » Editorias » Música » Vander Lee solta a voz no Tom Jazz

Vander Lee solta a voz no Tom Jazz

Por Mariana Bernun

O cantor Vander Lee fez em São Paulo  uma  mini turnê entre os dias 6, 7 e 8 de maio no Tom Jazz. O show foi promovido pelo Projeto Sons da Nova, da rádio Nova Brasil FM, e lá estava o MATRACA para conferir mais um ícone da MPB.

De calça listrada, camiseta branca e sotaque arrastado, o cantor agita a plateia ao entrar no palco e cantarolar as primeiras letras. Com malemolência e suavidade na voz, Vander Lee revela com sua primeira canção, “Eu E Ela”, que aquela primeira noite de show, teria um brilho especial.

Durante as quase duas horas de apresentação o mineiro cantou seus maiores hits como “Onde Deus Possa Me Ouvir”, “Esperando Aviões” e “Românticos”. O público, por sua vez, demonstrou que estava afiado em um coro mais do que sincronizado. O clima era intimista e permitia uma interação a todo o momento entre artista e espectador. Algumas frenéticas gritavam “Vander lindo”, uns pediam músicas e outros com orgulho gritavam a cidade de onde eram. O ambiente lembrava um típico show de barzinho paulistano.

Vander demonstrou ser um cara simpático e ‘papeador’, entre uma música e outra, conversava com os presentes e em  certo momento, com muita descontração, chamou a atenção do público dizendo para que todos soltassem os talheres e celulares para acompanhá-lo estalando os dedos na música “Pra Ela Passar”.

No set list não poderia faltar “Obscuridade”, canção feita a partir do poema de Cartola, que anestesiou os presentes e modificou o ambiente, em que o único som percebido era a voz e o violão do cantor.  Outro momento de grande emoção foi em “Desejo de Flor”, com a simplicidade das palavras, o afago no violão, o apertar dos olhos e o sorriso contido nos intervalos entre uma nota e outra, o cantor tirou suspiros de alguns e conseguiu olhares fixos de outros. Assim foi acontecendo um passeio entre baladas românticas, samba e bossa nova.

Veja entrevista exclusiva com Vander Lee

Durante o show você falou que havia comprado sua guitarra na Teodoro Sampaio. Isso é verídico?
Na verdade não, eu no ano passado (2010), montei um estúdio musical ao lado da minha casa, aí comecei a comprar vários instrumentos como guitarra, piano, bateria e os amigos quando souberam da minha vibe, começaram dar presentinhos. Esta guitarra que levei ao show caiu na minha mão desta forma e então resolvi levar para tocar em São Paulo, daí quando me referi a comprar na Teodoro foi mais uma brincadeira para dizer que a guitarra era uma compra de esquina. “Desculpem aí se der algum problema e não funcionar”, eu quis dizer. (risos)

Falando em instrumentos, qual te completa?
O violão. Comprei há pouco tempo este que tem me acompanhado e estou me apaixonando cada dia mais por ele.

Como é seu processo de composição musical?
Muito livre. Eu não lembro das minhas formas de composições anteriores, e até prefiro não lembrar para que a cada trabalho eu me renove. Posso te falar como estou trabalhando agora. Hoje eu preciso primeiro que a palavra me dê o som, não consigo fazer música sem antes a letra me mostrar o caminho. Tenho há um tempo estudado bastante sobre chorinho e samba de raiz, um lado meu que estava um pouco em desuso. Tenho buscado uma forma de identidade mineira, mas também buscando um diálogo universal.

Esta sua busca por samba de raiz foi o mote para você musicalizar o poema “Obscuridade” de Cartola?
Na verdade foi algo solto que simplesmente aconteceu, mas acredito que daí já vinha minha necessidade de mudança, de uma nova manifestação. “Obscuridade” foi o seguinte, eu abri o livro (Tempos Idos de Arthur L. de Oliveira e Marília Trindade) direto na página e pensei alto “isto dá uma música”, uma amiga disse que ia encontrar a neta do Cartola (Nilcemar Nogueira) e logo tive a autorização para fazer a música. Foi tudo bem rápido e foi também a partir daí que comprei os 4 CDs dele, comecei incluir algumas músicas em alguns dos meus shows  e isso me fazia lembrar bastante da minha época de shows em bar.

E qual canção do Cartola você mais gosta?
A eu gosto daquela “A sorrir eu preciso levar a vida, pois chorando eu vi a mocidade perdida…”, diz cantarolando sobre a música “O Sol Nascerá”. Gosto desta porque sorrir é um exercício maravilhoso!

Qual a música de sua autoria você considerou ter sido mais trabalhosa?
Não considero uma música trabalhosa, mas acredito que existem algumas que eu quero caprichar mais, o compositor vai apreendendo durante a composição, mas chega momentos que cada vez que você mexe a música fica mais confusa, então eu paro e deixo para dar continuidade nela depois é uma espécie de abandono da música, para que depois ela fique plena. No meu caso isso aconteceu com “Alma Nua”.

Quais os lugares que você mais gosta de frequentar quando está em São Paulo?
Nesta última turnê eu fui ao Hop Hari e gostei muito, andei naquela mega montanha russa deles, mas sou muito medroso (risos). Também Outros lugares que gosto é o Mercado Central (mercadão) e também das livrarias Fnac que sempre passo um tempão. Mas tenho vontade de fazer uma caminhada no Parque do Ibirapuera, pois lá eu só fui até hoje para trabalhar.

Qual artista da nova geração você aposta?
Sinto as luzes jogadas no Marcelo Jeneci, sinto nele uma coisa diferente dos outros músicos, além dele ter feito ótimos parceiros.

Qual o significado para você das palavras música, família, sonho, Brasil e Minas Gerais?
Música – vida

Família – sorte

Sonho – amor

Brasil – esperança

Minas Gerais – terra

Agenda de shows do cantor

Sobre o Editor

Antonio Saturnino

Atleta frustrado, jornalista por formação e "cantor" de karaokê nas horas vagas. Sou apaixonado pelas diversas manifestações artísticas, porém com uma relação mais íntima com a música. É ela quem dá ritmo à minha vida e se encarrega de escolher a trilha sonora adequada para cada momento.

Número de Postagens : 375

Matraca Cultural © 2012 Todos os direitos reservados.

Scroll to top