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O estilo gótico de Shirley Jackson e como ele lida com a realidade

Por Juliana Maffia

Quem gosta de ler sabe que muitas vezes, quando se pega um bom livro, daquele que prende a sua atenção, é difícil parar de lê-lo. Essa é a sensação que se tem com os textos escritos por Shirley Jackson, a dama americana da literatura gótica.

Seus livros ainda não foram publicados no Brasil. Mas a obra que é a razão deste texto existir foi publicada em Portugal, pelo nome de Sempre Vivemos no Castelo (no original do inglês - We Have Always Lived in the Castle). Sempre Vivemos no Castelo foi a última obra publicada pela autora, em 1962, antes de sua morte, três anos depois. Jackson escrevia contos de mistério e terror, que vieram a inspirar autores como Stephen King.

No livro, conhecemos os remanescentes da familia Blackwood Tio Julius, Merricat e Constance. Juntos eles moram na antiga mansão da família, em um grande terreno no interior dos Estados Unidos. Uma família estranha, talvez uma versão menos simpática dos Addams, eles vivem distantes da pequena cidade e de seus habitantes, de todas as formas possíveis.

Um grande mistério ronda a residência dos Blackwood. Durante o jantar, alguns anos antes, a maior parte da família havia sido envenenada. Todos suspeitavam de Constance, a irmã mais velha, isso acabou levando a irmã a viver em completa reclusão, jamais deixando a velha casa. Enquanto isso Merricat era obrigada a realizar todas as tarefas que a levavam para a vila. Lá Merricat era humilhada por todos seus habitantes.

A beleza do trabalho de Shirley Jackson está no terror completamente ligado à realidade. Aqui, os monstros fazem parte da sociedade. São os habitantes com uma mente fechada que acabam, em um ponto da história, apedrejando a casa das irmãs e as levando a completa reclusão. Merricat e Constance Blackwood, apesar de tratarem bem seu velho tio, são vistas como incognitas e nesta pequena cidade isto é inaceitável.

As características das irmãs que repelem os demais, são a razão do fascínio do leitor. Nos envolvemos a tal ponto de esperarmos que algo de bom aconteça com elas. Mas entre o assassinato não resolvido e seus vizinhos preconceituosos, o final para as irmãs Blackwood não parece muito promissor.

Sobre o Editor

Ju Maffia
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Formada em jornalismo, trabalhadora braçal da área de Social Media. Poderia passar o dia assistindo um filme atrás do outro. Mas essa vida não tá facil pra ninguém ;) Também adoro conversar sobre filmes que vi/curto então abusa da caixinha de comentários!

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