You Are Here: Home » Editorias » Música » Resenha: Atoms for Peace – AMOK

Resenha: Atoms for Peace – AMOK

Por Vitor Gonçalves

Os trabalhos solo de Thom Yorke envolvem um ramo de sonoridade já explorado por sua banda principal, o Radiohead. A partir de Kid A, o álbum lançado em 2000 que mudou em 180 graus a sonoridade da banda (além de influenciar de maneira decisiva o rock e a eletrônica) abriu as portas para a experimentação digital, coisinhas da cabeça de Thom Yorke que ninguém imaginaria ouvindo Creep. A primeira investida de Yorke nesse universo fora de sua banda foi com The Eraser, em 2006, um álbum que foi assumidamente construído num notebook. E agora, com AMOK, ele transformou um grupo de pessoas em um computador.

A banda é formada por Nigel Godrich, que é produtor e “sexto elemento” do Radiohead desde sempre, o baixista Flea do Red Hot Chili Peppers, Joey Waronker (que já trabalhou com R.E.M e Beck) na bateria e o brasileiro (!) Mauro Refosco na percussão. A precisão metronômica sentida nas músicas é uma das coisas mais marcantes desse projeto, que disfarça a barreira entre sons acústicos e digitais a todo o momento. Como muito se leu por aí, são poucos os momentos em que o Atoms for Peace é sentido como “banda”, devido a toda essa mecânica computadorizada dos sons. Mas isso não é ruim, nem um pouco, diria até que pelo contrário. É um fato que conta muito para a singularidade do projeto e mira o foco para a intensa exploração sonora guiada por Thom Yorke.

Tanto as letras das músicas quanto sua estética revelam um Yorke 100% pós-The King of Limbs (trabalho do Radiohead lançado em 2011). Há um senso de busca interminável, seja pela batida perfeita, pela textura mais apurada ou pela estrutura de melodia mais desprendida em tons etéreos. As letras reforçam isso, muitas vezes servindo muito mais como um jogo estético de palavras do que propriamente como uma construção profunda de significados. Ao mesmo tempo em que os sons vão revelando um mundo todo peculiar de reverberações e cliques acústico/eletrônicos, a voz de Thom Yorke parece que te leva pela mão num caminho aberto e passível de apreciação. Toda aquela preocupação com sequência de estrofe e refrão parece não fazer o menor sentido aqui, apesar do forte senso melódico, construído sempre pela voz e reforçado por todas as inúmeras camadas de sons que a cercam.

Sendo assim, conclui-se que AMOK é majoritariamente um projeto de um homem só, tornado possível pelos esforços conjuntos de alguns outros e a favor de um mundo inteiro que está sempre interessado no que esse inglês geniozinho tem pra oferecer.

P.S.: E como se tudo isso não bastasse, ainda é perfeito pra se dançar.

Sobre o Editor

Jornalista e compositor

Formado em Jornalismo e compositor com ambições musicais nada pequenas, sou um apaixonado por arte e procuro entender a estética de tudo a todo momento. Até das coisas mais simples e cotidianas.

Número de Postagens : 5

Matraca Cultural © 2012 Todos os direitos reservados.

Scroll to top