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Quando o fabuloso surge do simples

A Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro impressionou países do mundo inteiro e mostrou que não é preciso muito para fazer um espetáculo

Por Mariana da Cruz Mascarenhas

size_810_16_9_olimpiadas-rioPawel Kopczynski/Reuters

Na noite de sexta-feira (05/08), aproximadamente metade da população mundial – o equivalente a 4,5 bilhões de pessoas – praticamente estagnaram-se diante da TV e pairaram os olhos sobre o Brasil, mais especificamente sobre a cidade maravilhosa, cheia de encantos mil, como diz a letra de Caetano Veloso. O mundo acompanhou ao vivo a Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos realizada no estádio do Maracanã, na cidade do Rio de Janeiro.

Com cerca de quatro horas de duração, o evento começou às 20h e surpreendeu nacionalidades do mundo inteiro, que aplaudiram e elogiaram a criatividade brasileira, altamente exaltada neste espetáculo. Dirigida pelo renomado cineasta, produtor e roteirista Fernando Meirelles e conduzida pela coreógrafa Deborah Colker, a abertura contou com cerca de 4200 pessoas que participaram da apresentação, trazendo temas como sustentabilidade, paz mundial e a integração de diferenças raças, culturas e personalidades.

Como é de praxe em muitas cerimônias que abrem os jogos olímpicos, narrando a história do país sede, no Rio não foi diferente. Após o espetáculo se iniciar com o canto do Hino Nacional pelo músico Paulinho da Viola, o público foi convidado a viajar no tempo e conhecer melhor a história deste país tropical. Um imenso telão ao chão do estádio, acompanhado de pessoas utilizando materiais recicláveis, proporcionaram um belo espetáculo que apresentou os índios, a vinda dos portugueses, escravos e imigrantes até chegar às modernas civilizações que conhecemos hoje.

A simplicidade mesclada à tecnologia do telão produziram um maravilhoso espetáculo visual, que parecia mostrar os atores da festa interagindo com elementos reais em movimento, quando na verdade tratava-se de imagens tridimensionais. Um dos destaques foi a apresentação de índios que traçavam uma teia deixada por aranhas gigantes, feita por simples cordas cujo efeito era gigantesco e arrebatador ao mesmo tempo.

size_810_16_9_olimpiadas-rio (1)Antonio Bronic/Reuters

Outro ponto alto foi a decolagem de uma réplica do 14 Bis, de Santos Dummont, no meio do Maracanã. Sem contar ainda o belo desfile da modelo Gisele Bundchën, em vestido prateado, pela maior passarela do mundo, que se materializou no estádio ao som de Garota de Ipanema de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, cantado por Daniel Jobim, neto de Tom.

14 BisDamir Sagolj/Reuters

E como vivemos no país que possui a maior biodiversidade do mundo, não deixariam de aproveitar a oportunidade para fazer um apelo mundial à preservação da natureza, por meio de cenas e gráficos que ilustraram o avanço do aquecimento global e suas consequências ao mundo. Considerada clichê ou não, a mensagem foi bem explorada e muito útil para o momento que estamos vivendo, afinal fala-se muito em aquecimento global, mas pouco se faz para combatê-lo e por isso toda e qualquer divulgação é bem-vinda – e quer momento melhor do que num dos eventos de maior repercussão mundial?

A passagem das 12 escolas de samba do Rio pelo corredor do estádio e a presença dos ilustres Caetano Veloso e Gilberto Gil – mestres da Música Popular Brasileira – cantando Isto aqui, o que é? de Ary Barroso, junto com a cantora Anita, sintetizaram para o planeta uma das grandes riquezas culturais de nosso país.

Corações a mil no momento mais importante da cerimônia: o acendimento da Pira Olímpica. Após a tocha passar pelas mãos do campeão mundial de tênis, Gustavo Kuerten, e da campeã mundial de basquete, Hortênsia Marcari, foi o maratonista Vanderlei Cordeiro, o escolhido para acender a pira – para quem não se lembra ele ficou mundialmente famoso após ser atacado por um fanático religioso irlândes, que o segurou por alguns segundos quando ele liderava a Maratona dos Jogos Olímpicos de 2004, em Atenas, perdendo a chance de conquistar a medalha de ouro.

Mas o mais tocante foi a simplicidade com que a chama foi acendida, de uma forma que emocionou o mundo. Divergindo de diversas outras cerimônias pomposas realizadas por outros países – na abertura olímpica de Pequim, por exemplo, um atleta “voou” sobre a pira para acendê-la –, Vanderlei simplesmente subiu uma rampa e acendeu a pira, considerada a menor na história dos jogos olímpicos para não queimar muito combustível. Todavia ela foi engrandecida ao subir alguns metros e ficar diante de um móbile espelhado, dando o efeito de um “Sol”, que formou um inesquecível efeito para os olhos.

piraLucy Nicholson/Reuters

Enfim, a cerimônia de abertura é algo que o Brasil pode se orgulhar por realçar a intelectualidade e criatividade do povo brasileiro, que conseguiu extrair algo fabuloso partindo do simples.

Sobre o Editor

Mariana Mascarenhas

Formada em Jornalismo, especialista em Comunicação Organizacional, trabalho atualmente como Assessora de Comunicação. Também concluí cursos de Linguagem Cinematográfica, Teatro e TV, Designer, Fotografia Digital, entre outros. Sou apaixonada por cultura, principalmente por cinema, teatro e exposição, e adoro analisar os filmes, peças e mostras que vejo. Contato: mariana@matracacultural.com.br

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