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Quando as cortinas se fecham II

Por Cláudia Brandão-Masters

domingos

Não é um assunto feliz, mas também de drama é feita a nossa vida. Aliás, se não é a tristeza que nos fortalece, o que é afinal?

Ainda não tinha escrito sobre o grande Domingos Montagner, mas não foi por falta de vontade, nem por falta de admiração, foi inteiramente por vontade de dar tempo, de deixar o final da novela acontecer, de me distanciar e poder falar sobre o incrível trabalho do actor mas mais ainda, o incrível trabalho de quem ficou. A extraordinária jornada de quem ficou deste lado tendo que terminar uma história que podia ter acabado naquele rio…

O que aconteceu já todos sabem e se não sabem basta dar um google que o essencial (e o desnecessário) aparecem. A vida imitou a arte e isso é algo que aquele elenco irá carregar para sempre. E o que realmente me enche de vontade de escrever é sobre eles, relatar o meu ponto de vista diante daqueles que sobreviveram a isto.

Acho incrível o que foi feito pela produção da telenovela quando tudo isto aconteceu. Primeiro perguntaram se Camila Pitanga (protagonista, companheira de cena de Domingos e a última pessoa a vê-lo com vida) queria continuar as gravações. O respeito é tanto que se ela tivesse dito não, eles teriam acabado com a novela ali mesmo. Forte, ela disse que continuaria a gravar. Depois veio a difícil decisão de como continuar as gravações sem o personagem principal, o motor da historia. Domingos já havia gravado a parte final de sua personagem, ou seja, faltavam poucas cenas para que tudo acabasse, o que tornou tudo um pouco menos difícil. Mas faltava o grande momento, o casamento com o grande amor da sua vida (Tereza). E agora?!

O público precisava de um final. Muitos espectadores só se mantiveram fieis ao pequeno ecrã porque queriam ver como a Globo fecharia este ciclo. Brilhantemente o elenco, a produção e a realização mantiveram Santo vivo na novela. Em vez de Domingos tínhamos uma câmera que substituiu o actor e as falas não foram necessárias, nem mesmo os gestos, a emoção estava toda ali, o poder do amor e da interpretação esteve presente no grupo de actores que fazia parte do seu núcleo e para mim esta foi a melhor homenagem que podiam ter feito.

Foi dos melhores finais de novela que alguma vez vi. Claro que tudo o que envolveu esta novela leva a que uma pessoa jamais esqueça a história e os personagens, mas acredito também que este seja o sentimento que uma situação como esta merece – eterna homenagem àquele que foi um grande actor e a uma novela que foi original e inovadora.

São momentos assim que fazem valer a pena, que fazem com que pessoas apaixonadas por ficção, como eu, vejam e revejam cenas, escrevam, falem, comentem. Digo, a maneira como a situação foi contornada é de louva e o que há de bom precisa de ser comemorado.

Não é um assunto feliz mas também de drama é feita a nossa vida, aliás, se não é a tristeza que nos fortalece, o que é afinal?

Ainda não tinha escrito sobre o grande Domingos Montagner, mas não foi por falta de vontade, nem por falta de admiração, foi inteiramente por vontade de dar tempo, de deixar o final da novela acontecer, de me distanciar e poder falar sobre o incrível trabalho do actor mas mais ainda, o incrível trabalho de quem ficou. A extraordinária jornada de quem ficou deste lado tendo que terminar uma historia que podia ter acabado naquele rio…

O que aconteceu já todos sabem e se não sabem basta dar um google que o essencial (e o desnecessário) aparece. A vida imitou a arte e isso é algo que aquele elenco irá carregar para sempre. E o que realmente me enche de vontade de escrever é sobre eles, é relatar o meu ponto de vista diante daqueles que sobreviveram a isto.

Acho absolutamente incrível o que foi feito pela produção da telenovela quando tudo isto aconteceu. Primeiro perguntaram se Camila Pitanga (protagonista, companheira de cena de Domingos e a última pessoa a vê-lo com vida) queria continuar as gravações. O respeito é tanto que se ela tivesse dito não, eles teriam acabado com a novela ali mesmo. Forte, ela disse que continuaria a gravar. Depois veio a difícil decisão de como continuar as gravações sem o personagem principal, o motor da historia. Domingos já havia gravado a parte final de sua personagem, ou seja, faltavam poucas cenas para que tudo acabasse, o que tornou tudo um pouco menos difícil. Mas faltava o grande momento, o casamento com o grande amor da sua vida (Tereza), e agora?!

O público precisava de um final. Muitos espectadores só se mantiveram fieis ao pequeno ecrã porque queriam ver como a GLOBO fechava este ciclo. Brilhantemente o elenco, a produção e a realização mantiveram Santo vivo na novela. Em vez de Domingos tinhamos uma câmera que substituiu o actor e não foi preciso falas, não foi preciso gestos, a emoção estava toda ali, o poder do amor e da interpretação esteve presente no grupo de actores que fazia parte do seu núcleo e para mim esta foi a melhor homenagem que podiam ter feito.

Foi dos melhores finais de novela que alguma vez vi. Claro que tudo o que envolveu esta novela leva a que uma pessoa jamais esqueça a historia e os personagens mas acredito também que este seja o sentimento que uma situação como esta merece – eterna homenagem àquele que foi um grande actor e a uma novela que foi original e inovadora.  

São momentos assim que fazem valer a pena, que fazem com que pessoas apaixonadas por ficção, como eu, vejam e revejam cenas, escrevam, falem, comentem. Digo, a maneira como a situação foi contornada é de louva e o que há de bom precisa de ser comemorado.



 

 

 

 

Sobre o Editor

Antonio Saturnino

Atleta frustrado, jornalista por formação e "cantor" de karaokê nas horas vagas. Sou apaixonado pelas diversas manifestações artísticas, porém com uma relação mais íntima com a música. É ela quem dá ritmo à minha vida e se encarrega de escolher a trilha sonora adequada para cada momento.

Número de Postagens : 372

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