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O leitor: leia o livro e assista ao filme

Por Dayane Andrade

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“Que história triste, pensei durante muito tempo. Não que eu pense agora que ela é feliz. Mas penso que é verdadeira e, diante disso, perguntar se é triste ou feliz é algo que não faz sentido.”

Começo meu texto de hoje com a citação do livro O Leitor, de Bernhard Schlink, publicado pela primeira vez em 1995 e adaptado para o cinema em 2008, com atuação belíssima de Kate Winslet – vencedora do Oscar de melhor atriz – e Ralph Fiennes. A minha recomendação é para as duas obras tanto o livro quanto o filme. Ambos se completam e fará você se apaixonar por essa triste história. Sim, é um drama. Mas um drama, muito verdadeiro, que te faz pensar sobre várias atitudes da vida, como o orgulho, por exemplo.

Algumas pessoas que conhecem a obra, podem não concordar comigo. Porém, eu vejo que o comportamento de Hanna Schmitz, mulher por quem o protagonista, Michael Berg, se apaixona foi consumido pelo orgulho, pela ignorância e pela vergonha.

O grande segredo que permeia a história justifica o comportamento de Hanna.  Quando você descobrir, vai sofrer como eu. É triste e melancólico pensar que duas pessoas vão ter uma vida sofrimento e amarguras por conta desse fato.  Claro, que eu não vou contar, pois para quem ainda não conhece o enredo, perderia toda a beleza, sabendo desse mistério agora.

o-leitor2Para contextualizar, Michael Berg, era um adolescente nos anos 60, que se apaixona por uma mulher 21 anos mais velha do que ele, Hanna Schmitz. Ela é uma pessoa solitária e misteriosa, mas que também deixa se envolver com o jovem, principalmente pelo fato dele a apresentar ao mundo das letras e da imaginação.

Os encontros de Michael e Hanna seguiam um ritual: primeiro tomavam banho, depois ele lia para ela clássicos da literatura, como Tolstói, Dickens e Goethe e só depois faziam amor. Para o adolescente Michael, esse ritual nunca teria fim. Mas esse período de felicidade e amor foi interrompido quando Hanna simplesmente desaparece da vida dele, sem deixar um bilhete ou dar um aviso.

Vida que segue… Michael só vai reencontrar Hanna anos depois, ao assistir um julgamento de ex-guardas dos campos de concentração, como uma atividade do curso de Direito.  Todas as sensações, mágoas e, claro, o amor que sentiu por Hanna vem à tona.

Michael vive um dilema ao imaginar que passou tantos anos amargurado, sem nunca ter construído uma relação sincera e dedicada como fez com Hanna, ao perceber que nunca a conheceu de verdade, que nunca soube seus segredos. Como acreditar que Hanna realmente era culpada? Como um sentimento, que ficou guardado por anos, ainda estava tão vivo? Ajuda-la ou não ajuda-la.

A partir daí que a história começa de verdade. Hanna assume a culpa de um crime que não cometeu, novamente por orgulho e ignorância. O mesmo comportamento que a fez abandonar Michael sem deixar uma mensagem, ou lhe dar qualquer explicação. Esse comportamento mudou toda a vida de Michael, que seguiu em frente, mas sempre teve à sombra os resquícios dessa história de amor.

Tanto o livro quanto o filme, são narrados do ponto de vista de Michael. Você vai se envolver profundamente com os personagens, sofrer, ficar com raiva, triste e chorar. Sim, eu chorei muito e estou quase chorando ao escrever esse texto, só por rememorar todos os momentos dessa linda história.

Vale a pena conhece-la se ainda não esbarrou pelas obras. Se você já assistiu ao filme, dedique um tempo ao livro, você terá uma experiência muito mais profunda. Tenho certeza de que vai gostar.

Boa leitura, bom filme!

Sobre o Editor

Dayane Andrade

Jornalista, pós-graduada em Teorias e Práticas da Comunicação. Atualmente sou consultora de mídias sociais. Adoro poesia, clássicos da literatura brasileira e estrangeira. Enfim, um bom livro é sempre uma ótima companhia!

Número de Postagens : 138

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