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O beijo bandido de Ney Matogrosso

Por Antonio Saturnino

Já faz alguns anos que Ney Matogrosso encanta milhares de fãs com seu timbre de voz e presença de palco singulares. No início da carreira, época em que integrava a banda Secos e Molhados, o tom quase feminino do cantor, os trejeitos em sua performance e os figurinos inusitados, chamaram atenção pela ousadia, em uma época um tanto conservadora. Hoje este é exatamente o diferencial que continua atraindo novos admiradores.

No último sábado (9), o artista apresentou no Credicard Hall, em São Paulo, o show Beijo Bandido, que já passou por diversas cidades brasileiras. No set list, grandes sucessos do álbum homônimo, no qual ele fez diversas regravações, como as canções Medo de amar, de Vinícius de Moraes, A distância, de Erasmo Carlos e Roberto Carlos, e Nada por mim, do Kid Abelha.

Ney, ainda no início do espetáculo, cantou Fascinação, da Elis Regina. Durante a interpretação introspectiva, ele teve alguns pequenos deslizes na afinação, pois faltava colocar um pouco mais de ar em algumas notas. Nada muito medonho e, caso fosse qualquer outro cantor, talvez passasse despercebido. Mas conhecendo a competência dele, a gente fica um pouco mais exigente.

Depois engrenou e a apresentação seguiu com qualidade impecável. Mesmo com um repertório mais romântico e lento, as danças e gingado de Ney não deixaram de marcar presença. Os grandes destaques da noite foram as canções A Bela e a Fera, de Chico Buarque e Edu Lobo, e Bicho de sete cabeças II, de Geraldo Azevedo, com uma interpretação forte, bastante performática e marcante.

Durante todo o show ele usou um figurino mais “recatado”, afinal, o tom da apresentação pedia. Já para o bis ele aparece, com as mesmas vestimentas, mas com a camisa aberta, deixando o peito à mostra, e com diversos colares no pescoço. Foi um toque Ney Matogrosso para fechar o espetáculo. Na volta ele cantou mais três canções, entre elas Mulher sem razão, de Cazuza e Bebel Gilberto e encerrou o espetáculo com uma hora cravada, já contando com o retorno no bis.

Em toda apresentação, algo que fica bem claro é que a música não está só na parte vocal ou instrumental, mas também no corpo. Ainda que fosse um show mudo seria possível absorver toda carga de romance, drama e todo sentimento das composições, retratados na linguagem corporal do nosso anfitrião da noite.

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Sobre o Editor

Antonio Saturnino

Atleta frustrado, jornalista por formação e "cantor" de karaokê nas horas vagas. Sou apaixonado pelas diversas manifestações artísticas, porém com uma relação mais íntima com a música. É ela quem dá ritmo à minha vida e se encarrega de escolher a trilha sonora adequada para cada momento.

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