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“Negação” retrata os perigos do autoritarismo e radicalismos opressores

Por Mariana da Cruz Mascarenhas 

filme Negação

Dá para acreditar que, passados tantos anos, a existência de uma das maiores tragédias da história – que dizimou milhões de judeus durante a Segunda Guerra Mundial – conhecida como Holocausto, ainda é questionada? Pois pode acreditar que sim: mesmo diante de registros fotográficos, testemunhos inúmeros de sobreviventes, entre outros arquivos que comprovam a monstruosidade de tal genocídio, há historiadores, por exemplo, que simplesmente ignoram ou fingem ignorar tais atrocidades.

É o caso de David Irving (Timothy Spall), personagem do filme Negação, em cartaz nos cinemas. Baseada em uma história real, a produção retrata o embate entre o historiador Irving e a professora e pesquisadora Deborah Lipstadt (Rachel Weisz), depois que esta é acusada de difamação pelo historiador. Ela o declara como mentiroso e negador da história do Holocausto em suas obras, que procuram exaltar Hitler como alguém que não teria ordenado cometer barbaridades contra os judeus – o que se justificaria pela proximidade de Irving com o partido nazista.

Para complicar a situação da pesquisadora residente nos EUA, o julgamento é realizado em Londres pois, ao contrário do que ocorre no país norte-americano, no sistema judiciário britânico, o réu é obrigado a apresentar provas para se defender da acusação feita contra ele. Deborah contrata então uma equipe de advogados para ajudá-la nesta missão. A frieza inicial com que lidam com a situação chega a incomodar a professora e até mesmo o espectador, pela sensação de que ela não conseguirá vencer o caso.

A forma gradual e desprovida de surpresas como a trama se desenrola pode não atrair tanto o público, mas apesar de sua previsibilidade, a atuação de Rachel Weisz é forte e convincente, revelando-se um dos potentes elementos para prender nossos olhos ao telão. Além disso, a produção, cujo foco não recorre a nenhuma técnica cinematográfica fora do comum para narrar a história, mas principalmente à linguagem cênica, é uma ótima reflexão para o cenário atual que se consolida no mundo marcado por tantos grupos radicais opressores.

Negação é um filme simples, mas cujos diálogos verbalizam, portanto, sentimentos conservadores e radicais que, infelizmente, vem cultuando o massacre ao diferente de forma assustadoramente comum para eles, revelando-se uma afronta para o mundo. O longa tem direção de Mick Jackson e cerca de 101 minutos de duração.

Sobre o Editor

Mariana Mascarenhas

Formada em Jornalismo, especialista em Comunicação Organizacional, trabalho atualmente como Assessora de Comunicação. Também concluí cursos de Linguagem Cinematográfica, Teatro e TV, Designer, Fotografia Digital, entre outros. Sou apaixonada por cultura, principalmente por cinema, teatro e exposição, e adoro analisar os filmes, peças e mostras que vejo. Contato: mariana@matracacultural.com.br

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