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Espaço cultural revive passado repressor

Por Mariana Bernun 

“…Eu digo não.
Eu digo não ao não.
Eu digo.
É proibido proibir…”

Foram frases como estas que fizeram o cantor Caetano Veloso ser eliminado de um  festival em 1968. Sei que minha editoria é exposição e não música, mas esta frase de “É Proibido Proibir” justifica e muito o que vou escrever abaixo.

Durante 21 anos vivemos sobre  o período do Regime Militar aqui no Brasil, desde o golpe de 1964. Apesar de não ter vivido esta época, cada vez que leio em um livro ou artigo sobre o assunto, sinto que eu seria um daqueles “comunistas” procurados e torturados pelo regime.  Com o início do AI-5 a  situação de repressão piorou e muito, o decreto legitimava a censura prévia a todos os veículos de comunicação em território nacional. E foi aí que o Estado encontrou uma forma “perfeita” de dialogar com os adversários políticos, definida como tortura ou se preferirem podem escolher outro sinônimo.

É neste contexto que hoje falo sobre um espaço em São Paulo que faz com que as pessoas voltem ao passado e reflitam sobre um período de extremo poder ditatorial que (se não nós) pais e avós viveram. Refiro-me ao Memorial da Resistência de São Paulo, localizado no Largo General Osório, 66. Local que de  1840 a 1983 sediou o Departamento Estadual de Ordem Política e Social do Estado de São Paulo – Deops/SP.  Lá, arquitetos, políticos comunistas e sindicalistas prestavam depoimentos e eram severamente torturados.  Hoje o ambiente é um museu com objetivo de preservar as memórias da resistência e da repressão por meio de documentos para pesquisa, exposições e ações educativas e culturais.

A Mostra da vez é “Não tens epitáfio, pois és bandeira” que reúne documentos, objetos pessoais e cerca de 200 fotografias sobre momentos da vida de Rubens Paiva. Fatos como a prisão de Eunice Paiva (sua esposa) também integra a exposição. Paiva foi um militante político, presidente do centro acadêmico Horacio Lane e vice-presidente da União Estadual dos Estudantes de São Paulo em 1954. Além de participar da campanha “O petróleo é nosso”, pela criação da Petrobras, ele é um dos tantos casos que desapareceram durante o Regime Militar.

Matraqueiros se por conta do friozinho de hoje a preguiça bater, não tem problema, mas não deixem de dedicar um dia a este lugar, pois certamente quando saírem de lá haverá um sentimento maior de cidadania e senso crítico. Ótimo sabadão a todos!

Sobre o Editor

Mariana Bernun

Jornalista e publicitária. Amante de esporte e cultura e Blogueira no Matraca Cultural! @maribernun

Número de Postagens : 133

Comentários (2)

  • Luciana s. pereira

    Acho que não teve periodo pior na história do que a ditadura militar.

    Meus avôs e meus pais contaram diversas histórias sobre o que acontecia nessa epoca e me deixa extramente triste saber como foi, fico agradecida por vivermos livres agora, ou pelo menos, com essa sensação de liberdade.

    o blog está muito bom, vou visitar mais vezes.

    • Mariana Bernun

      bernun

      É verdade Luciana, foi um período extremamente conturbado onde muitas pessoas morreram lutando por esta “quase” liberdade que temos hoje. Digo quase, pois atitudes como o da Marcha da Maconha e também da Marcha da Liberdade colocam em xeque se realmente somos livres para expormos nossas opiniões em público. Acho que mais manifestações deveriam ocorrer no Brasil, manifestação para os impostos, manifestação para a o preço dos alimentos, coisas que parecem simples, mas que afetam nosso dia-a-dia. Enquanto o brasileiro for passivo toda vez que ocorrer uma manifestação haverá uma repressão e a nossa liberdade entrará em dúvida.
      Muito obrigada pelo comentário Luciana e sempre será muito bem vinda no MATRACA!

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