You Are Here: Home » Editorias » Música » Keane em prol de um pop mais introspectivo

Keane em prol de um pop mais introspectivo

Por Vitor Gonçalves

Quem estava no Credicard Hall na noite da última quarta-feira (4) para ouvir hits saiu satisfeito. Como não poderia deixar de ser, os britânicos do Keane estavam contentíssimos com a platéia brasileira, que sempre se mobiliza para agradar com surpresas. Sendo assim, os momentos de Everybody’s ChangingSomewhere Only We Know e Is it Any Wonder fizeram valer o ingresso daqueles que conheciam a fatia mais radiofônica do repertório da banda.

Mas, de maneira até surpreendente, esse show do Keane foi um show para fãs.

“Essa é uma música antiga”, disse Tom Chaplin antes de She Has No Time, sempre se esforçando pra deixar todos felizes e satisfeitos com seu português. A canção, que pertence ao aclamado Hopes and Fears, de 2004, representou um dos momentos mais introspectivos de toda a apresentação. É o tipo de música que no Brasil é difícil de se escutar, por não ser muito conhecida nem divulgada. Outros momentos em que os britânicos deixaram o público de boca aberta aconteceram nas performances de Hamburg Song (quando o silêncio reinou no Credicard Hall e só se ouvia os dedilhados delicados ao piano) e em My Shadow, provavelmente a maior surpresa da noite, por não ter entrado em nenhum dos álbuns de estúdio da banda. Fãs, dying hard.

A apresentação de 21 músicas contou com mais músicas do primeiro álbum já citado, Hopes and Fears, do que com o álbum da própria turnê, o Strangeland. Aliás, a presença massiva do primeiro álbum tem muito a ver com a sonoridade do último trabalho da banda, que revisita (ainda que com um sopro de reinvenção) o mesmo tipo de som, guiado pelo piano, dispensando as ousadias empregadas no álbum anterior, Perfect Symmetry. Esse, aliás, foi representado nesse show pela faixa-título e por Spiralling, arrancando gritos de “Uuuh!” da plateia a todo o momento.

Em uma performance tão cheia de momentos emocionantes, destaca-se ainda a apresentação das belíssimas We Might As Well Be Strangers e A Bad Dream, provas vivas de que o pop pode sim ser muito tocante quando bem feito. E eis que, na sua quinta apresentação em São Paulo, o Keane achou o equilíbrio perfeito entre hits de rádio e introspecção musical.

*Foto por Camila Cara / T4F

Set list:
1 - You Are Young
2 – Bend and Break
3 – On the Road
4 – We Might as Well Be Strangers
5 – Nothing in My Way
6 – Silenced by the Night
7 – Everybody’s Changing
8 – She Has No Time
9 – Perfect Symmetry
10 – Spiralling
11 – A Bad Dream
12 – Hamburg Song
13 – My Shadow
14 – Disconnected
15 – Is It Any Wonder?
16 – This Is the Last Time
17 – Somewhere Only We Know
18 – Bedshaped
Bis:
19 – Sea Fog
20 – Sovereign Light Café
21 – Crystal Ball

Sobre o Editor

Jornalista e compositor

Formado em Jornalismo e compositor com ambições musicais nada pequenas, sou um apaixonado por arte e procuro entender a estética de tudo a todo momento. Até das coisas mais simples e cotidianas.

Número de Postagens : 5

Matraca Cultural © 2012 Todos os direitos reservados.

Scroll to top