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Foi sem querer, querendo (parte 1)

Por Marco Barone

 

Como promessa é dívida, esse post tem o objetivo de pagar uma promessa. Como já falei, em uma conversa com amigos, disse que Os Trapalhões marcaram minha infância e que achava que as piadas do Chaves eram cópia do programa brasileiro. Fui quase que apedrejado, pois estava em meio a quase histéricos fãs do programa mexicano. Pois é, não imaginava, mas eles são muitos e estão entre nós. E o pior, sabem de cor até diálogos interiores. Eu mesmo tenho um desses fãs em casa, meu filho de 12 anos.

A promessa e a dívida: escrever sobre os dois programas e suas culturas inúteis. Como quem escreve sou eu, comecei por aquele que sou fã. Depois de dois textos, agora vem a vez da outra atração. O que me exigiram é que eu demovesse tanta energia neste como entreguei ao outro. E que desse o mesmo espaço. Então vamos lá. Não sei se o que vou escrever aqui é inédito ou sabido por muitos.

- No dia 20 de junho de 1971 foi ao ar o primeiro episódio de Chaves, no México. Nesta época, Chaves era apenas um quadro do programa ‘Chespirito’

- Calcula-se que foram gravados mais de 1.000 episódios do Chaves durante o tempo em que o seriado foi produzido (de 1971 a 1992). Apenas 137 são exibidos atualmente pelo SBT

- No começo da série, Roberto Gómez Bolaños teve que economizar dinheiro para montar o cenário pois a Televisa não bancava nada. Por isso o cenário era todo feito de papelão e isopor, deixando o seriado ainda mais engraçado.

- Nos primeiros episódios existiam apenas sete personagens: Chaves, Seu Madruga, Dona Florinda, Quico, Prof. Girafales, Sr. Barriga e Dona Clotilde. Aos poucos o elenco foi aumentando, chegando ao que conhecemos hoje

- Criador do seriado, o ator, roteirista e comediante Roberto Gómez Bolaños é sobrinho do ex-presidente do México Gustavo Díaz Ordaz Bolaños

- Roberto Bolaños é chamado no México de Chespirito, uma forma “castelhanizada” e diminutiva de Shakespeare

- Antes de trabalhar na TV, Roberto Bolaños tentou ganhar a vida como jogador de futebol

- Chapolin, na verdade, é um gafanhoto (chapulin). Essa espécie de gafanhoto é comido frito no México.

- O nome original de Seu Madruga é Seu Ramón e de Chiquinha é Chilindrina.

- O automóvel do Sr. Barriga é uma Brasília, carro inteiramente desenvolvido no Brasil pela Volkswagen

- Chaves estreou no Brasil no programa do Bozo, exibido no SBT, em 1984 com apenas 13 episódios comprados. Devido ao sucesso, compraram mais lotes de programas em 1986, 1988 e 1991

- Chaves chegou a passar em horário nobre no Brasil. Foi exibido durante 4 meses às 21h

- O nome original de Chaves é ‘el chavo’, que, em espanhol significa “moleque”, “menino”. Na hora de traduzir para o português, esse termo não existia, então o personagem passou a se chamar Chaves na dublagem brasileira

- Em 1974, Maria Antonieta de las Nieves, que interpretava Chiquinha, teve que se afastar do seriado, porque estava grávida. Na trama, foi inventada a desculpa que a personagem tinha ido morar com tias no interior

- No início da série, os personagens não tinham suas características clássicas. Seu Madruga não era pai da Chiquinha. Ele morava na casa da Dona Florinda e vendia balões. O Sr. Barriga não era dono da vila, era apenas zelador e Dona Florinda não usava bóbis

- No fim de 1978, Carlos Villagrán, que vivia Quico, decidiu sair do elenco para ser astro de seriado na Venezuela. Os últimos episódios com o personagem são os da viagem a Acapulco

- A canção “Boa Noite Vizinhança”, tocada no episódio de Acapulco, é uma homenagem ao ator Carlos Villagrán, que estava deixando a série. Ela foi composta por Roberto Gómez Bolaños, intérprete de Chaves e criador do seriado

- No episódio “Vamos ao Cinema”, Florinda diz que Quico vai morar com uma madrinha rica. A história se tratava de uma desculpa para justificar a saída de Carlos Villagrán

- Em 1979, Rámon Váldez, o Seu Madruga, recebeu uma proposta para ir trabalhar no mesmo seriado de Quico. Bolaños criou o restaurante da Dona Florinda para preencher os desfalques. Em 1981, entretanto, Seu Madruga retorna e fica na série até 1983

- No fim da década de 1980 até 1992, a série voltou a ser apenas um quadro do programa ‘Chespirito’. No Brasil, levava o nome de ‘Clube do Chaves’

- O endereço do Sr. Barriga é a Rua Baleia, esquina com a rua Cachalote, na vila dos Elefantes

- A Bruxa do 71 levou esse apelido pois a atriz, Angelines Fernandez, começou a trabalhar com Roberto Gómez Bolaños em 1971. Quando Chaves passou a ser uma série, colocaram 71 como número do apartamento para que o nome fizesse sentido

- O curioso local onde nasceu o carteiro Jaiminho, Tangamandápio, realmente existe. Não se trata de uma cidade, mas sim de um vilarejo localizado na cidade de Cuernavaca, no México

- Na década de 90, correu um forte boato na imprensa brasileira afirmando que os atores do Chaves teriam morrido em um acidente de avião. Esse acidente jamais ocorreu

- Edgar Vivar, que vivia Sr. Barriga, foi médico antes de ser ator

- María Antonieta se casou por volta de 1972 com Gabriel Fernandez, produtor de televisão. Ele era responsável pela locução do início do programa na versão mexicana que dizia: “este é o programa número um da televisão humorística”

- Em 1978, Florinda e Roberto Bolaños começaram a namorar, depois de uma viagem que fizeram ao Chile

- Bolaños e Florinda Meza se casaram na Cidade do México no dia 19 de novembro de 2004, após mais de 25 anos de união não-oficial

- Antes de se casar com Bolaños, Florinda teve um romance com Carlos Villagrán, o Quico. Dizem que, por conta disso, os dois se mantiveram afastados por mais de vinte anos

- Rubén Aguirre Fuentes, que interpretava o eterno pretendente de Florinda, o professor Girafales, está pesando cerca de 130 kg por conta de um medicamento tomado para curar um problema que tinha na perna há alguns anos

- O ator Horácio Bolaños, que interpretava Godiñez, era irmão de Roberto Gómez Bolaños, o Chaves. Ele faleceu em 21 de novembro de 1999, vítima de um infarto

- Ramón Valdéz faleceu em 1988 e Angeline Férnandez, a Bruxa do 71, em 1994

- A música que toca toda vez que dona Florinda e professor Girafales se encontram é ‘Tema de Tara’, trilha sonora original do filme ‘E o Vento Levou’

- Desde 1995, María Antonieta de las Nieves tem os direitos sobre a personagem Chiquinha, depois que Bolaños esqueceu de renová-los por engano. O diretor, criador e roteirista não pode vender a imagem da personagem para a fabricação de bonecos ou mesmo incluí-lo no desenho animado inspirado no programa de TV

- Com a morte do Seu Madruga, tentaram colocar a bisavó da Chiquinha interpretada por ela mesma, para substituí-lo. Mas não deu certo, pois nada e ninguém conseguiria substituir o Ramon Valdés (Seu Madruga). Só ele conseguiria fazer aquele papel, que foi escrito exatamente para seu porte físico, seu jeito meio lesado de ser. A perda foi irreparável e, a partir daí, a saga do elenco acaba, o ritmo diminui, e a série vai se desfazendo aos poucos.

- Rubén Aguirre (o Professor Girafales) antes de ser ator, era um alto executivo da Televisa. Alto mesmo, com 1.95m.

- Chavez, que já foi exibido em 90 países, é atualmente exibido em 20

Sobre o Editor

Antonio Saturnino

Atleta frustrado, jornalista por formação e "cantor" de karaokê nas horas vagas. Sou apaixonado pelas diversas manifestações artísticas, porém com uma relação mais íntima com a música. É ela quem dá ritmo à minha vida e se encarrega de escolher a trilha sonora adequada para cada momento.

Número de Postagens : 375

Comentários (1)

  • Cláudio Garcia

    Vale um parabéns para o repórter Marco Barone pelo esforço e pesquisa. Resultado muito bacana, parabéns!
    Obviamente, tem papel fundamental para a produção a atuação de Antonio Saturnino, editor chefe, publisher e líder dos escribas que determinou a elaboração pautando o assunto.
    Agora, achar que as piadas do chaves eram copia de “Os Trapalhões” é sacanagem! Aí não Barone!
    Abraço a todos do Matraca e sucesso sempre!

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