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Deixe Woody te levar

Ju Maffia

Wilson e Cotillard vagam pelas ruas de Paris

Aquele sentimento de nostalgia, aquela sensação de que você seria mais feliz em uma outra época, em outro país, aquela insatisfação crônica, característica comum entre todos os seres humanos. Woody Allen aborda isso na maioria dos seus filmes, mas Meia Noite em Parisé especial. O último filme do diretor nova-iorquino estreou na sexta-feira (17). Fui vê-lo sem pretensões e expectativas, mas Woody nos entregou uma de suas obras recentes mais marcantes.

O filme obviamente se passa em Paris. E, como de costume, os parisienses não são os personagens principais da trama. O personagem principal é Gil Pender (Owen Wilson) um roteirista de Hollywood, frustrado com a profissão. Gil ama Paris e quer se mudar para a cidade da luz onde pretende terminar de escrever seu livro. Já sua noiva, Inez (Rachel McAdams), prefere compras e Malibu. Gil sonha tanto com o passado, com os áureos anos 20 que acaba sendo transportado para lá. É a partir daí que a trama se desenvolve.

Meia Noite em Paris não choca, mas a leveza e beleza transcendem. Não é como Vicky Cristina Barcelona, um filme muito mais intenso. Histórias que envolvem os personagens em magia são sempre divertidas. Allen fez o mesmo em Rosa Púrpura do Cairo. Nele, Mia Farrow se apaixona pelo personagem que pula das telas do cinema. Neste, Owen Wilson muda de era e vive um romance com a amante de Picasso. Em ambos, o desfecho de Allen é óbvio. A realidade sempre vence, afinal quem vive somente de sonhos? Owen volta, mas encontra outra paixão.

Vamos falar de coadjuvantes. McAdams (apesar de ser uma querida) não convence, parece tentar imitar a Scarlet Johansson em todas as cenas. Marion Cotillard está linda como musa dos anos 20, aparição impecável, seu figurino também é lindo. Além das duas moças, vale falar de uma apariçãozinha de Adrien Brody, a parte é pequena, mas muito legal! Brody faz um Dalí caricato, vale umas boas risadas.

Sabemos que o cinema de Woody Allen vai perdendo o fôlego lentamente, não dá para comparar os filmes de hoje, com os filmes que fazia há duas ou três décadas. Mas, mesmo assim, o diretor ainda tem bastante história pra contar. Em Meia Noite em Paris ele traz um tipo de filme que já não fazia há algum tempo (vamos ignorar a realização de Scoop) e o faz com sucesso. Peça rara do acervo do diretor, este filme lúdico com certeza vai agradar aos fãs do cineasta.

Sobre o Editor

Ju Maffia
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Formada em jornalismo, trabalhadora braçal da área de Social Media. Poderia passar o dia assistindo um filme atrás do outro. Mas essa vida não tá facil pra ninguém ;) Também adoro conversar sobre filmes que vi/curto então abusa da caixinha de comentários!

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