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Adeus a um ídolo

Por Antonio Saturnino
George Michael
Foto: divulgação

Escrevo esse texto com lágrimas nos olhos e, primeiramente, quero dizer que é um post é totalmente parcial.

Quando eu era muito novo e haviam vários questionamentos sobre sexualidade, George Michael, ou Jorge Marcos, como eu o chamava (praticamente bff), veio a público e assumiu que era homossexual. Foi nesse momento que eu percebi que não era anormal ser gay, como eu havia aprendido minha vida toda.

Ele me mostrou que um homossexual não precisava, e jamais precisará, viver marginalizado. Mesmo sem viver uma vida hétero-normativa ele deveria ser respeitado. Ele foi o sex symbol de toda uma geração feminina, mesmo sendo gay.

George mostrou como é importante se informar sobre o HIV e que é possível um casal soro-discordante conviver. Quando ele escreveu Jesus to a Child em memória de seu ex-namorado, o brasileiro Anselmo Feleppa, morto em 1993, eu aprendi que também existe amor, e não apenas perversão, na relação de duas pessoas do mesmo sexo.

Na letra de You Have Been Loved, ele me mostrou imensa compaixão. A música foi composta para a mãe de Anselmo e, quando eu soube que a canção havia sido feita para ela, trechos como “That man, she loved that man, for all his life. And now we meet to take him flowers and only God knows why” (Aquele homem, ela amou aquele homem, por toda sua vida. E agora nos encontramos para levar-lhe flores e só Deus sabe o porquê), nunca mais fui capaz de ouví-la sem chorar.

Freedom ’90 foi lançada antes de seu “came out“, e já trazia mensagens subliminares sobre questões relativas à sexualidade. É, ainda hoje, um dos principais gritos de liberdade. Ele também mostrou que não havia problema fazer sexo sem amor, quando ele canta que tudo que ele procurava era um Fast Love e que o “querer sexo” é química.

Sim, ele se envolveu em diversos escândalos. Mas em Outside ele manda o recado: “eu sei que você também quer, mas você não pode dizer”. Ou seja, menos hipocrisia, você (sem generalizar) também quer fazer igual, isso caso já não tenha feito.

Embora eu não tenha percebido lá atrás, o trabalho dele influenciou para que hoje eu tivesse a cabeça mais aberta com relação a várias questões sobre as quais a sociedade precisa evoluir.

E por isso eu apenas tenho a dizer: muito obrigado, George Michael. Obrigado pelos anos de lacração e babado.

Sobre o Editor

Antonio Saturnino

Atleta frustrado, jornalista por formação e "cantor" de karaokê nas horas vagas. Sou apaixonado pelas diversas manifestações artísticas, porém com uma relação mais íntima com a música. É ela quem dá ritmo à minha vida e se encarrega de escolher a trilha sonora adequada para cada momento.

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